Artrose em idosos: sintomas, tratamento e cuidados para preservar a mobilidade

Artrose em idosos pode causar dor e limitar a mobilidade. Conheça os principais sintomas, tratamentos e cuidados para preservar a autonomia.

Homem idoso sofre com dores de artrose nos joelhos (Foto: Africa Images / Canva Pro)

Dor nos joelhos para levantar da cadeira, dificuldade para subir escadas, rigidez ao começar a caminhar ou redução dos movimentos das mãos. Esses sintomas podem ser vistos como consequências naturais do envelhecimento, mas também podem indicar artrose em idosos.

Também chamada de osteoartrite, a artrose é uma das doenças articulares mais frequentes e tende a se tornar ainda mais comum com o envelhecimento da população. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a osteoartrite representa atualmente cerca de 30% a 40% dos atendimentos em ambulatórios de Reumatologia no Brasil.

Embora a idade seja um importante fator de risco, sentir dor e perder mobilidade não devem ser considerados acontecimentos inevitáveis da velhice. Com diagnóstico, acompanhamento adequado e mudanças na rotina, é possível controlar os sintomas da artrose e preservar a independência da pessoa idosa por mais tempo.

O que é artrose?

A artrose ou osteoartrite é uma doença que provoca alterações nas estruturas das articulações. A cartilagem que recobre as extremidades dos ossos pode se deteriorar e também podem ocorrer modificações nos ossos e em outros tecidos da articulação.

A cartilagem funciona como uma espécie de proteção entre os ossos, contribuindo para que os movimentos aconteçam com pouco atrito. Quando a articulação é afetada pela osteoartrite, podem surgir dor, rigidez e dificuldade de movimentação.

A doença pode acometer diferentes partes do corpo, mas é especialmente comum em:

  • joelhos;
  • quadris;
  • mãos e dedos;
  • coluna;
  • pés.

Nos idosos, essas alterações podem ter impacto direto sobre atividades aparentemente simples, como caminhar, tomar banho, vestir-se, levantar-se da cama ou realizar tarefas domésticas.

Por que a artrose é mais comum em idosos?

O risco de desenvolver osteoartrite aumenta com a idade, mas o envelhecimento não é sua única causa.

A doença é considerada multifatorial. Isso significa que diferentes características podem contribuir para o seu aparecimento e sua progressão, incluindo fatores mecânicos, genéticos, metabólicos e hormonais.

Entre os principais fatores associados à artrose estão:

  • avanço da idade;
  • excesso de peso e obesidade;
  • histórico familiar;
  • lesões anteriores nas articulações;
  • sobrecarga repetitiva de determinadas articulações;
  • alterações no alinhamento dos membros;
  • fraqueza muscular;sedentarismo.

O aumento da expectativa de vida e dos casos de obesidade ajuda a explicar por que a osteoartrite tem se tornado um problema de saúde cada vez mais relevante.

O aumento da expectativa de vida e dos casos de obesidade ajuda a explicar por que a osteoartrite tem se tornado um problema de saúde cada vez mais relevante.

Quais são os sintomas da artrose em idosos?

Rigidez

Algumas pessoas sentem a articulação mais “presa”, especialmente depois de permanecerem algum tempo paradas.

Limitação dos movimentos

A pessoa pode começar a ter dificuldade para dobrar o joelho, movimentar o quadril, usar as mãos ou realizar outros movimentos que antes eram simples.

Estalos e crepitações

Barulhos nas articulações durante os movimentos também podem estar presentes.

Aumento de volume ou deformidades

Em quadros mais avançados, podem surgir modificações perceptíveis no formato da articulação.

É importante lembrar que nem sempre existe relação direta entre o que aparece nos exames e a intensidade dos sintomas. Algumas pessoas apresentam alterações radiográficas sem sentir dor, enquanto outras têm limitações importantes.

Por isso, o diagnóstico deve considerar os sintomas, o exame clínico e, quando necessário, exames complementares solicitados pelo médico.

Como a artrose pode afetar a qualidade de vida do idoso?

Quando a dor começa a interferir nos movimentos, é comum que a pessoa idosa reduza gradualmente suas atividades.

Ela pode evitar sair de casa, caminhar menos ou deixar de realizar tarefas que causam desconforto. O problema é que a redução excessiva dos movimentos pode provocar perda de força muscular e piora da capacidade funcional, criando um ciclo de dor, insegurança e sedentarismo.

A limitação também pode afetar:

  • autonomia para realizar atividades da vida diária;
  • equilíbrio e segurança ao caminhar;
  • participação em atividades sociais;
  • qualidade do sono;
  • bem-estar emocional;
  • independência dentro e fora de casa.

É justamente por isso que controlar a artrose não significa apenas diminuir a dor. Um dos principais objetivos do tratamento é manter a pessoa ativa e preservar sua funcionalidade.

Idoso com artrose pode fazer atividade física?

Sim. E, em muitos casos, o movimento faz parte do tratamento.

Um dos equívocos mais comuns é acreditar que a pessoa com artrose deve evitar atividades físicas para não “gastar ainda mais” a articulação.

A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia destaca que a atividade física adequada pode contribuir para fortalecer a musculatura, melhorar os movimentos e ajudar no controle dos sintomas da osteoartrite.

O tipo, a intensidade e a frequência dos exercícios, porém, precisam respeitar as condições de saúde, as limitações e o estágio da doença de cada pessoa.

Entre as atividades que podem ser recomendadas pelos profissionais estão exercícios para:

  • fortalecimento muscular;
  • flexibilidade;
  • equilíbrio;
  • mobilidade;
  • condicionamento físico.

Caminhadas, atividades aquáticas e exercícios orientados por fisioterapeutas ou profissionais de educação física podem fazer parte da rotina, de acordo com a avaliação individual.

Dor não deve ser simplesmente ignorada. Se uma atividade provocar desconforto intenso ou piora persistente dos sintomas, é importante procurar orientação profissional.

Como é feito o tratamento da artrose em idosos?

A artrose não possui um único tratamento que sirva para todas as pessoas.

A estratégia depende das articulações afetadas, da intensidade da dor, do grau de limitação, da idade e de outras condições de saúde do paciente.

De maneira geral, o tratamento pode combinar diferentes medidas.

Mudanças no estilo de vida

Atividade física, controle do peso e adaptações na rotina são componentes importantes para reduzir a sobrecarga das articulações e preservar a capacidade funcional.

Fisioterapia

A fisioterapia pode ajudar a melhorar força, mobilidade, equilíbrio e função, além de auxiliar no controle da dor.

Medicamentos

Analgésicos, anti-inflamatórios ou outros tratamentos podem ser recomendados em determinadas situações. Em idosos, a avaliação médica é especialmente importante porque outros medicamentos e doenças preexistentes precisam ser considerados antes da escolha do tratamento.

A automedicação deve ser evitada.

Órteses e dispositivos de apoio

Em alguns casos, palmilhas, órteses, bengalas ou outros recursos podem ajudar a diminuir a sobrecarga e aumentar a segurança durante a locomoção.

Cirurgia

Nos casos mais avançados, quando existe comprometimento importante da articulação e os tratamentos conservadores não são suficientes, procedimentos cirúrgicos podem ser avaliados pelo ortopedista.

O tratamento, portanto, deve sempre ser individualizado e acompanhado por profissionais de saúde.

Qual é o papel do cuidador no dia a dia do idoso com artrose?

Quando a artrose passa a dificultar atividades do cotidiano, o cuidador pode contribuir para que a pessoa idosa continue realizando suas tarefas com mais segurança e o máximo de autonomia possível.

Esse apoio pode incluir:

  • auxiliar nos deslocamentos quando necessário;
  • ajudar nas atividades de higiene e vestimenta diante de limitações de movimento;
  • acompanhar caminhadas ou exercícios recomendados pelos profissionais de saúde;
  • observar alterações na dor, mobilidade e comportamento;
  • organizar a rotina para evitar esforços desnecessários;
  • acompanhar consultas e tratamentos;
  • reduzir obstáculos no ambiente que aumentem o risco de quedas;
  • estimular a autonomia em tudo aquilo que a pessoa ainda consegue realizar sozinha.

É importante que o cuidado não leve à imobilidade desnecessária. Fazer todas as tarefas pelo idoso, mesmo quando ele ainda possui condições de participar, pode contribuir para uma perda gradual de independência.

O ideal é oferecer o suporte necessário sem retirar a autonomia.

Cuidar da mobilidade também é cuidar da autonomia

A artrose é frequente entre idosos, mas dor constante e perda progressiva dos movimentos não precisam ser encaradas como parte inevitável do envelhecimento.

Atividade física adequada, fortalecimento muscular, controle do peso, acompanhamento profissional e adaptações na rotina podem contribuir para que a pessoa continue ativa e independente por mais tempo.

Quando as limitações já começam a interferir no cotidiano, contar com suporte também pode fazer diferença.

Os cuidadores da Health Senior podem auxiliar idosos com limitações de mobilidade nas atividades do dia a dia, respeitando sua autonomia, suas necessidades e as orientações dos profissionais de saúde.

Precisa de apoio no cuidado de uma pessoa idosa? Fale com a Health Senior.

FONTES:
Sociedade Brasileira de Reumatologia, Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e Agência USP.

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