Catarata em idosos: sintomas, tratamento e cuidados no dia a dia

Entenda o que é catarata em idosos, quais são os principais sintomas, como é feito o diagnóstico, quando a cirurgia é indicada e quais cuidados ajudam no dia a dia.

A catarata afeta cerca de 75% dos idosos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO). (Foto: Patty Photo/Canva.)

Perceber que a visão está ficando embaçada, precisar de mais luz para ler ou começar a enxergar as cores de maneira diferente pode parecer apenas uma consequência natural da idade. No entanto, essas alterações também podem indicar a presença de catarata.

Muito comum entre pessoas idosas, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia estima que a doença afeta até 75% das pessoas com mais de 75 anos, a catarata ocorre quando o cristalino, uma lente natural localizada dentro dos olhos, perde progressivamente sua transparência. Com isso, a passagem da luz é prejudicada e a visão pode se tornar cada vez mais comprometida.

A evolução costuma ser gradual e, nos estágios iniciais, a pessoa pode nem perceber que existe uma alteração. Por isso, conhecer os sinais e manter o acompanhamento oftalmológico são medidas importantes para preservar a visão, a autonomia e a segurança na terceira idade.

O que é catarata?

O cristalino funciona como uma lente natural dos olhos. Ele ajuda a focalizar a luz para que as imagens sejam formadas adequadamente.

Em condições normais, essa estrutura é transparente. Na catarata, porém, o cristalino se torna progressivamente opaco, dificultando a passagem da luz e deixando a visão embaçada.

A maioria dos casos está relacionada ao envelhecimento. Ao longo dos anos, alterações naturais na estrutura do cristalino podem provocar essa perda de transparência.

Embora seja especialmente frequente entre idosos, a catarata também pode surgir em outras situações, como após traumatismos nos olhos ou associada a determinadas doenças e medicamentos.

Por que a catarata é tão comum entre idosos?

O envelhecimento é o principal fator de risco para o desenvolvimento da catarata.

Com o passar dos anos, as proteínas que compõem o cristalino podem sofrer alterações e formar áreas de opacidade. Esse processo tende a evoluir gradualmente e pode afetar um ou os dois olhos.

Além da idade, alguns fatores podem aumentar a probabilidade de desenvolver catarata, entre eles:

  • diabetes;
  • tabagismo;
  • exposição excessiva à radiação ultravioleta;
  • histórico familiar de catarata;
  • traumatismos ou cirurgias anteriores nos olhos;
  • uso prolongado de determinados medicamentos, especialmente corticosteroides.

Isso não significa que todas as pessoas expostas a esses fatores desenvolverão a doença, mas reforça a importância do acompanhamento oftalmológico regular ao longo do envelhecimento.

Quais são os sintomas da catarata em idosos?

Nos estágios iniciais, a catarata pode não provocar sintomas perceptíveis. À medida que a opacidade do cristalino aumenta, porém, algumas alterações começam a aparecer.

Entre os sinais mais frequentes estão:

  • visão embaçada ou nublada;
  • dificuldade para enxergar à noite;
  • maior sensibilidade à luz;
  • sensação de ofuscamento diante de faróis, lâmpadas ou luz solar;
  • aparecimento de halos ao redor das luzes;
  • necessidade de maior iluminação para ler;
  • cores que parecem mais apagadas ou amareladas;
  • mudanças frequentes no grau dos óculos;
  • visão dupla em um dos olhos em alguns casos.

Esses sintomas não são exclusivos da catarata. Outras doenças oftalmológicas também podem causar alterações semelhantes. Por isso, apenas a avaliação de um oftalmologista permite estabelecer o diagnóstico correto.

A catarata pode comprometer a autonomia do idoso?

Sim. À medida que a visão diminui, atividades que antes eram simples podem se tornar mais difíceis.

A pessoa pode apresentar dificuldade para ler, reconhecer objetos, assistir televisão, caminhar em locais pouco iluminados, preparar refeições ou realizar outras tarefas cotidianas.

A redução da visão também merece atenção porque pode afetar a segurança durante os deslocamentos.

Degraus, mudanças de nível do piso, objetos no caminho e ambientes com pouca iluminação podem se tornar mais difíceis de identificar. Para pessoas que já apresentam alterações de equilíbrio ou mobilidade, a combinação desses fatores pode aumentar ainda mais a insegurança ao caminhar.

Por isso, alterações visuais no idoso não devem ser consideradas simplesmente como “coisas da idade”. A investigação adequada pode identificar condições tratáveis e ajudar a preservar a independência.

Como é feito o diagnóstico da catarata?

O diagnóstico é realizado pelo oftalmologista durante a avaliação dos olhos.

Além de verificar a acuidade visual, o médico pode realizar exames que permitem observar as estruturas internas do olho e identificar a presença e o grau de opacidade do cristalino.

O acompanhamento oftalmológico também é importante porque algumas doenças oculares relacionadas ao envelhecimento podem evoluir inicialmente com poucos sintomas.

A avaliação periódica ajuda a identificar alterações precocemente e permite definir a melhor conduta para cada pessoa.

Catarata tem tratamento?

Sim. No início da doença, algumas adaptações podem ajudar a lidar com as alterações da visão. Melhorar a iluminação dos ambientes, atualizar o grau dos óculos e utilizar recursos de ampliação para leitura, por exemplo, podem facilitar determinadas atividades.

Essas medidas, entretanto, não eliminam a catarata.

Quando a perda visual começa a prejudicar de maneira significativa as atividades do dia a dia, o oftalmologista pode avaliar a indicação de cirurgia.

Atualmente, a cirurgia é o tratamento capaz de remover a catarata.

Como funciona a cirurgia de catarata?

Durante a cirurgia, o cristalino que perdeu sua transparência é retirado e substituído por uma lente artificial, chamada lente intraocular.

A indicação não depende apenas da presença da catarata. De maneira geral, o médico considera principalmente quanto a alteração visual está interferindo na vida da pessoa.

Dificuldade para ler, dirigir, assistir televisão, caminhar com segurança ou realizar atividades cotidianas são alguns dos fatores que podem ser considerados.

Por isso, nem todas as pessoas diagnosticadas com catarata precisam operar imediatamente. A decisão deve ser individualizada e discutida com o oftalmologista, considerando a condição dos olhos, a saúde geral do paciente e o impacto da perda visual em sua rotina.

Como é a recuperação após a cirurgia de catarata?

A recuperação pode variar de acordo com as características de cada pessoa e com a orientação da equipe médica.

Após o procedimento, é importante seguir rigorosamente as recomendações do oftalmologista. Elas podem envolver o uso de colírios, proteção dos olhos e algumas restrições temporárias de atividades.

Também é fundamental comparecer às consultas de acompanhamento, pois o médico avaliará a recuperação e orientará quando determinadas atividades poderão ser retomadas.

No caso de pessoas idosas, familiares e cuidadores podem contribuir bastante durante esse período.

Como familiares e cuidadores podem ajudar o idoso após a cirurgia?

Nas primeiras fases da recuperação, algumas atividades podem exigir supervisão ou ajuda temporária.

O cuidador pode contribuir, por exemplo, ao:

  • auxiliar na organização dos horários dos colírios prescritos;
  • acompanhar consultas e retornos ao oftalmologista;
  • ajudar nos deslocamentos quando necessário;
  • manter caminhos e ambientes livres de obstáculos;
  • garantir iluminação adequada dentro da casa;
  • apoiar temporariamente atividades que ofereçam risco;
  • observar alterações importantes e comunicá-las à família ou à equipe de saúde.

É importante, porém, preservar a autonomia sempre que possível.

Se a pessoa continua capaz de realizar determinada atividade com segurança, o ideal é permitir sua participação em vez de assumir automaticamente todas as tarefas.

O objetivo deve ser oferecer o suporte necessário durante a recuperação sem retirar desnecessariamente a independência do idoso.

Quais cuidados ajudam a proteger a saúde dos olhos na terceira idade?

Nem todos os casos de catarata podem ser evitados, principalmente porque o envelhecimento é seu principal fator de risco.

Algumas medidas, entretanto, fazem parte dos cuidados gerais com a saúde ocular e podem contribuir para proteger os olhos ao longo da vida.

Entre elas estão:

  • utilizar óculos de sol com proteção adequada contra radiação ultravioleta;
  • não fumar;
  • controlar doenças como o diabetes;
  • proteger os olhos contra traumatismos;
  • manter alimentação equilibrada;
  • realizar consultas oftalmológicas periodicamente.

Para pessoas idosas, o acompanhamento dos olhos também possibilita investigar outras condições frequentes nessa fase da vida, como glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética.

Alterações na visão do idoso merecem atenção

Mudanças na visão podem ocorrer lentamente. Em muitos casos, a própria pessoa se adapta às dificuldades e demora a perceber quanto sua capacidade visual já foi afetada.

Familiares e cuidadores podem observar alguns sinais indiretos, como maior insegurança para andar, dificuldade para identificar objetos, necessidade de muita luz para realizar atividades ou abandono de tarefas que antes faziam parte da rotina.

Ao perceber alterações desse tipo, a avaliação oftalmológica é importante.

A catarata é uma condição muito frequente com o envelhecimento, mas possui tratamento. O diagnóstico e o acompanhamento adequados podem ajudar a preservar não apenas a visão, mas também a segurança, a autonomia e a qualidade de vida da pessoa idosa.

Na Health Senior, nossos cuidadores oferecem suporte individualizado para ajudar pessoas idosas a manter sua rotina com mais segurança e autonomia, inclusive durante períodos de recuperação após procedimentos e cirurgias.

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